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: Pablito :
Pablito era filho de Miguelito, um porquinho macho enorme que eu havia ganho de um conhecido que não o queria mais. Miguelito era grande, forte, lindo e maravilhoso, por isso resolvi cruzá-lo logo com minha porquinha predileta: Nanica.Desse modo, nasceram seus primeiros e inesquecíveis filhos: Júnior - igual ao pai - Meg e Pablito.
Pablito, o maior de todos, sempre foi meu preferido, podia ver desde cedo, pela sua expressão, que um dia seria o macho líder. Mas isso ainda demoraria a acontecer.
No início, toda minha família gozava do meu queridinho: ele sempre ficava para trás! Enquanto Júnior, como bom filho seguia todos os passos de Miguelito.
É preciso dizer que os porquinhos passavam o dia soltos no pátio da minha casa e logo aprenderam que podiam subir nos canteiros para comer as plantas do jardim de minha mãe (que não gostava nem um pouquinho da idéia) ou no degrau da entrada da casa para comer a ração do meu gato Rigoletto.
Todos conseguiam pular os trinta centímetros do degrau, menos Pablito!! Ele ficava embaixo gritando (cuí, cuí!) enquanto os outros saboreavam felizes a salada florida do jardim.
Eu não conseguia entender porque, afinal ele era o maior dos filhotes!!! E, obviamente, meus pais aproveitavam para implicar comigo dizendo que Pablo era fraco e bocó e Júnior sim era esperto. Até que, não agüentando mais ver meu querido porquinho se dar mal, resolvi ensiná-lo a saltar.
Armada de paciência e MUITA persistência, colocava ele sozinho de frente para o degrau e sacudia uma folhinha de que ele gostasse em cima, para incentivá-lo. No início ele precisou de uns empurrõezinhos, mas em pouco tempo aprendeu a pular. E, no final das contas, ele era o único porquinho que conseguia subir no canteiro mais alto do pátio! Bastava eu dar o sinal e ele pulava, nem precisava mais de folha!!!!
O tempo passou, filhotes foram crescendo, e a situação em casa foi ficando mais difícil, pois começavam os atritos entre os jovens machos e Miguelito. Mas, como eu havia previsto, Pablito logo assumiu o lugar de líder, rebaixando seu próprio pai. O pobre Júnior nunca pode cruzar, não cresceu direito, e jamais sequer se arriscou a brigar.
Pablito, ao contrário, cresceu muito e foi pai de vários e vários filhos. Seu reinado durou dois anos e deixou uma prole de vinte e oito porquinhos. Pablito nasceu em 1992 e até hoje possuo animais que descendem dele.
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