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: Filhotes abandonados :
Foi há oito anos atrás. Era uma noite fria de inverno. Eu acabara de chegar em casa e sentia meus ossos congelando. Apesar do frio, a primeira coisa que fiz foi ver como estava Benqui, minha porquinha-da-índia grávida, que estava para dar à luz. Corri até sua gaiola e, surpresa, vi que já haviam nascido três porquinhos, os quais jaziam caídos e abandonados num canto da gaiola. Benqui, totalmente indiferente à eles, descansava bem longe dos filhos. Pensei que estivessem mortos.
Essa não seria a primeira vez que acontecia algo parecido com esta fêmea. Ela já havia engravidado seis vezes, mas apenas duas foram bem sucedidas: nas três primeiras gravidezes ela abortou bem no início e na última nasceram sete filhotes mortos, sendo que alguns estavam incompletos ou mal formados. Ela própria ficou mal, perdeu muitos pêlos e emagreceu bastante. Além disso ela possuía comportamento homossexual, tentava cobrir outras fêmeas e brigava com os machos, arrancando seus pêlos. E depois dessa noite me vi obrigada a separá-la dos demais porquinhos para que não tornasse a engravidar.
Felizmente, quando peguei os pequeninos bebês no colo percebi que ainda respiravam, apesar de seus corpos estarem gelados. Meu pai então veio com a idéia de colocá-los em água quente para reanimá-los. Duvidei um pouco de tal tática, pois os animais pareciam moribundos, porém, não havendo mais nada a ser feito, concordei em tentar.
Esquentamos água em uma chaleira e enchemos uma bacia com ela. Cuidadosamente, colocamos cada porquinho na água morna, deixando apenas os narizinhos de fora. Carinhosamente massageamos seu corpinhos, e como que por milagre os filhotes começaram a se mexer. Foi como se tivessem renascido. Poucos minutos depois eles já caminhavam e gritavam pedindo pela mãe. Então colocamo-os de volta na gaiola, mas Benqui continuava a desprezá-los; não os deixava mamar e nem sequer ficarem junto dela para se aquecerem numa noite tão fria. Os coitadinhos corriam atrás dela emitindo ruidinhos, mas ela fugia constantemente. Por fim os filhotes desistiram e se amontoaram num canto enquanto sua mãe dormia noutro.
Eu sabia que desse jeito acabariam morrendo ainda essa noite, pois estava um frio de rachar e os pequeninos tinham apenas meia hora de vida. Com pena, retirei-os novamente da gaiola e aqueci-os junto ao meu corpo. Teria de cuidá-los pessoalmente até estarem fortes o bastante para poderem sobreviver sozinhos. Agora precisava fazer com que tomassem um pouco de leite quente e mantê-los junto comigo. Virei a casa atrás de algo que servisse de mamadeira e terminei por encontrar um pequeno frasco vazio de colírio com conta-gotas, que se mostrou perfeito para este fim. Enchi o frasco com leite morno e alimentei cada um dos três filhotinhos, que beberam avidamente todo seu conteúdo. À essas alturas já era tarde e precisávamos dormir. Surgiu então outro problema: o que fazer com os porquinhos!?! A solução, no entanto, surgiu logo em seguida, pois meu pai se ofereceu para cuidar deles durante a noite. Ele dormiu no tapete da sala, enrolado em um cobertor e abraçando os três filhotes para garantir que não passassem frio. E deu certo, na manhã seguinte os três estavam bem e já queriam mais leite! Eram uns famintinhos!!!!!
De novo tentamos devolvê-los à mãe, mas ela continuou a rejeitá-los. Fomos então forçados a nos conformar com o fato e passamos a tomar conta em tempo integral dos bebês. Dessa forma eles conseguiram sobreviver, e quando já tinham algumas semanas puderam se juntar aos outros porquinhos adultos; embora ainda tomassem leite em uma tigela já comiam ração e estavam suficientemente crescidos e fortes para agüentar o frio e viver sem a mãe.
Jamais esquecerei aquelas criaturinhas indefesas que dormiam comigo e gritavam pedindo leitinho. Eram uns amores!!!!!!!!! E estarão para sempre em meu coração.
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